O sol nascera há pouco tempo. O vento ainda trazia aqueles fios de ar gelado em meio a brisa morna, o céu claro e sem nuvens começava a se tingir, o fundo azul opaco aos poucos ganhando cores rosadas e quentes, brilhantes, anunciando a chegada do novo dia. O jovem casal estivera andando pela praia, seus pés na faixa de água rasa do mar, e agora se dirigiam a areia seca. O jovem Mauricio estendeu a toalha na areia e a moça sentou-se nela, de frente para o mar, seu rosto sereno observando a imensidão de água. Ele passou a mão pela barriga saliente da jovem mulher ao seu lado, - quase sete meses – e sentiu uma dor quase física, excesso de amor, de medo pelo futuro, pelos 2 seres ao seu lado que agora dependiam dele e por quem ele faria tudo que estivesse ao seu alcance para manter felizes e em segurança, deixou seus olhos seguirem a direção dos olhos dela e buscou paz e certezas nas mudanças eternas e imutáveis do mar.
Mauricio olhou para o chão aos seus pés, não havia sombra, o sol estava a pino, sua luz forte e quente selando sua presença no agora. As crianças montavam um castelo de areia, protegidas na sombra do guarda-sol, suas peles esbranquiçadas pelo creme protetor que a mãe lambuzara em exagero de zelo por suas crias. A garotinha ergueu seus olhos dourados para ele, uma expressão de adoração tangível em sua inocente expressão, como deveria ser. O garoto, com ares de expert, separava com a pá o buraco do fosso do castelo, sua expressão concentrada lembrou ao pai de si mesmo, sentiu a mão de sua esposa se enfiar pela sua, seus olhos se cruzaram tranqüilos, felizes. Olhou novamente para seus filhos e viu neles seus próprios gestos, seu rosto e o da esposa, misturados, melhorados, recriados. Sentiu-se inflar de orgulho, de amor, de um calor que vinha de dentro, harmonizando-se com o calor que o sol do meio do dia infligia em sua pele.
A bola bateu em sua cadeira com força – Joga ai, Tio Mauricio! – gritou Maisena, parado a uma certa distancia, um sorriso enorme em seu rosto chocolate, reunido com a turma de amigos de seu filho que jogavam a “pelada da tarde”. Soltou o jornal que lia e jogou a bola de volta ao garoto, então caminhou em direção as suas garotas – a esposa, a filha e a nora – que brincavam com Mauricinho Neto, o garoto rechonchudo e sorridente pulava as ondas, revezando entre as mãos das mulheres que babavam em cima dele. Sentiu a água do mar atingir seus pés ao se aproximar do grupo, estava morna como sempre ficava no final de dias ensolarados. Olhou nostálgico para sua família, e antecipou a saudades que sentiria quando as férias acabassem; seu filho voltaria para a cidade que agora vivia, e sua filha estava de viagem marcada para estudar no exterior. Para onde foram aqueles dias longos e tranqüilos, onde o futuro parecia tão distante? Tanta vida em tão pouco tempo, uma gaivota gritou por perto, asas estendidas voando em direção ao mar, voando para longe e ainda mais distante.
As luzes dos navios brilhavam a distancia na noite escura, propagando-se nas ondas como estrelas em movimento. Não havia lua está noite e a brisa fria que chagava do mar trazia um que de mistério, para os outros talvez – pensou Mauricio – não mais para mim. Esta areia, esses sons, esses cheiros, me acompanharam sempre, fizeram parte de minha vida, de minha família, não há mistérios aqui, não para mim. Sentou-se na areia, devagar, seus ossos doíam mais que o normal naquela noite, deixou a areia moldar-se por baixo de suas pernas, como uma cama, aconchegante, a praia sempre lhe fora receptiva, sempre lhe consolara e acalmara, compartilhara com ele seus bons e maus momentos, seus dias de sol e também seus dias escuros, de chuva. Suas lembranças estavam firmemente entrelaçadas a ela, era como um membro, uma parte de seu próprio corpo. Deitou-se na areia, deixou sua mente vagar por lembranças da esposa, perdida a alguns anos, dos filhos agora distantes, dos netos cuja geração ele não entendia, deixou-se mergulhar nas saudades e sentiu-se satisfeito, podia agora no final do dia perceber tão claramente, o quão farta fora sua vida.
Lembrou de quando era criança, da aula de biologia, da teoria que dizia que a vida nasceu no mar. Fazia sentido na época para o garoto que passava as tardes jogando pelada na areia, que crescera tão perto do mar – pensou enquanto se levantava devagar – ainda faz sentido agora – sorriu para a escuridão do oceano, caminhando em direção a água negra – que minha próxima vida também comece em você.
Mauricio olhou para o chão aos seus pés, não havia sombra, o sol estava a pino, sua luz forte e quente selando sua presença no agora. As crianças montavam um castelo de areia, protegidas na sombra do guarda-sol, suas peles esbranquiçadas pelo creme protetor que a mãe lambuzara em exagero de zelo por suas crias. A garotinha ergueu seus olhos dourados para ele, uma expressão de adoração tangível em sua inocente expressão, como deveria ser. O garoto, com ares de expert, separava com a pá o buraco do fosso do castelo, sua expressão concentrada lembrou ao pai de si mesmo, sentiu a mão de sua esposa se enfiar pela sua, seus olhos se cruzaram tranqüilos, felizes. Olhou novamente para seus filhos e viu neles seus próprios gestos, seu rosto e o da esposa, misturados, melhorados, recriados. Sentiu-se inflar de orgulho, de amor, de um calor que vinha de dentro, harmonizando-se com o calor que o sol do meio do dia infligia em sua pele.
A bola bateu em sua cadeira com força – Joga ai, Tio Mauricio! – gritou Maisena, parado a uma certa distancia, um sorriso enorme em seu rosto chocolate, reunido com a turma de amigos de seu filho que jogavam a “pelada da tarde”. Soltou o jornal que lia e jogou a bola de volta ao garoto, então caminhou em direção as suas garotas – a esposa, a filha e a nora – que brincavam com Mauricinho Neto, o garoto rechonchudo e sorridente pulava as ondas, revezando entre as mãos das mulheres que babavam em cima dele. Sentiu a água do mar atingir seus pés ao se aproximar do grupo, estava morna como sempre ficava no final de dias ensolarados. Olhou nostálgico para sua família, e antecipou a saudades que sentiria quando as férias acabassem; seu filho voltaria para a cidade que agora vivia, e sua filha estava de viagem marcada para estudar no exterior. Para onde foram aqueles dias longos e tranqüilos, onde o futuro parecia tão distante? Tanta vida em tão pouco tempo, uma gaivota gritou por perto, asas estendidas voando em direção ao mar, voando para longe e ainda mais distante.
As luzes dos navios brilhavam a distancia na noite escura, propagando-se nas ondas como estrelas em movimento. Não havia lua está noite e a brisa fria que chagava do mar trazia um que de mistério, para os outros talvez – pensou Mauricio – não mais para mim. Esta areia, esses sons, esses cheiros, me acompanharam sempre, fizeram parte de minha vida, de minha família, não há mistérios aqui, não para mim. Sentou-se na areia, devagar, seus ossos doíam mais que o normal naquela noite, deixou a areia moldar-se por baixo de suas pernas, como uma cama, aconchegante, a praia sempre lhe fora receptiva, sempre lhe consolara e acalmara, compartilhara com ele seus bons e maus momentos, seus dias de sol e também seus dias escuros, de chuva. Suas lembranças estavam firmemente entrelaçadas a ela, era como um membro, uma parte de seu próprio corpo. Deitou-se na areia, deixou sua mente vagar por lembranças da esposa, perdida a alguns anos, dos filhos agora distantes, dos netos cuja geração ele não entendia, deixou-se mergulhar nas saudades e sentiu-se satisfeito, podia agora no final do dia perceber tão claramente, o quão farta fora sua vida.
Lembrou de quando era criança, da aula de biologia, da teoria que dizia que a vida nasceu no mar. Fazia sentido na época para o garoto que passava as tardes jogando pelada na areia, que crescera tão perto do mar – pensou enquanto se levantava devagar – ainda faz sentido agora – sorriu para a escuridão do oceano, caminhando em direção a água negra – que minha próxima vida também comece em você.
By Peper

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